sexta-feira, 12 de abril de 2013

sinfonia minha.


O tal violino que chora
A tal cuíca que lamenta
O tal piano que a alma explora
E a guitarra que tormenta...
Somos sinfonia de sentimentos.
Puro argumento.

arte: suheil baddor

terça-feira, 9 de abril de 2013

saiba o que quer...


Tem um texto bacana que diz :

”Pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.” 

O mundo cada vez mais é para profissionais. Profissionais do viver.

Ou você se aperfeiçoa, ou ficará levando bordoada na cabeça sem saber o porquê, culpando o universo, e se vitimizando. Muito mimimi... aprenda: gente melindrada é uó. Crescer dói, porque estica, porque encolhe, porque amolece, porque endurece, porque cai, porque levanta, porque molha, porque seca, porque esfria, porque esquenta...

Daí bate aquela carência, aquela vontade de ser amado (a), de ser aceito, e você sai por aí, praticando o “amor” pelo próximo. Vai à caça!

Não saia por aí seduzindo pessoas pelo seu ego que precisa de carinho. Vá fazer terapia! Mas aqui não, jacaré. Não cometa estragos no coração das pessoas pelo fato de vc não saber o que quer. Seja honesto (a) com vc, e consequentemente, com o outro. Relação, seja ela qual for, é troca. Se você não quer trocar, nem perca seu tempo com um simples "oi", pois você corre o risco de receber outro "oi" em troca.

Papos frequentes na boemia são as histórias de homens e mulheres com corações destruídos, blasfemando uma perda por alguém que ela nunca teve. É a história que se repete: o sujeito chega com uma espécie de protocolo de sedução, são fofos (as), carinhosos (as), fazem café da manha, te envolve na vida dele (a), apresenta a família, os amigos, e depois ,menos- dia-mais-dia, do nada, vem com um papinho sem-vergonha de que tudo está ficando sério demais, e ele (a) não está preparado (a) .. Ah faça-me o favor!! Isto é, quando a criatura não some do nada deixando por si a "relação" - ou seja lá o nome que isso tenha - minguar.

Se a pessoa diz que o problema não é você e sim ela, admita: sim, o problema É ELA. Ainda porque este argumento é deveras batido, e já virou desculpa na falta da coragem: "sabe, não estou pronto (a) para me envolver mimimimi blablabla”.

Se tomates não estivessem tão caros eu jogaria tomates no autor deste discursinho barato.

Peralá, o outro não é obrigado a gostar de você, nem te amar, nem te querer, nem nada disso... “O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.” Observe e siga o velho ditado popular que nunca sai de moda: “Não faça com o outro aquilo que não quer para você”... Não foi a primeira, e nem a ultima vez que você recebeu um não. Não´s fazem parte do processo, tanto ouvir, quanto dizer.

Fulano que amava Beltrano, que amava Cicrana, que amava Fulana.. o velho e bom carrossel que no final vai terminar com algum eremita escondido na caverna. Deixa-o quieto. Quando ele tiver que sair, ele sai. Não seja a salvadora, ou salvador querendo arrancar pela barba o eremita de dentro do catzo da caverna gelada. Deixaaaa.. Ele (a) quer, ele (a) vem.

Não te ligou foi porque não quis. Realize. Ele (a ) não está afim de você. Encare isto, e siga em frente. Parafraseando Bukowski O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.”

O mundo dá voltas, a fila anda...

Você escolhe onde quer ficar, o outro também tem direito de escolher. Simples assim.
Então para evitar confusões antes de sair de casa, saiba o que você quer. 


domingo, 31 de março de 2013

Assédio sexual no metrô paulistano

Saindo do vagão da linha vermelha do metrô Republica, ouço no meu ouvido direito uma série de obscenidades das mais escabrosas, ditas por um idiota qualquer. Finjo não ouvir e sigo para a baldeação na linha amarela. Penso que nessas horas gostaria de estar nos EUA, onde assédio sexual é levado a sério. Qual a minha infeliz surpresa quando minha bunda é beliscada pelo idiota-retardado, que sai correndo pela plataforma, e entra no vagão. Desacreditada!!! Não tive dúvidas, saí correndo atrás dele e entrei no mesmo vagão gritando que sua ação era assédio sexual. Nessa hora fiquei com dois metros de altura. Cheguei empurrando o idiota-retardado-imbecil que não esperava a minha reação. Na verdade nem eu mesma esperava. A vista escureceu. Não bati no cara. Mas o fiz passar um bocado de vergonha, pois quando me dei conta, estava num vagão cheio de pessoas, numa bolha que foi aberta pelos meus movimentos bruscos em direção ao idiota-retardado-imbecil-assustado. Alguns populares começaram a me defender, outros ainda dizendo que se ele não devia nada que chamasse a polícia... Assédio sexual é crime! E apesar da minha cara de frágil, eu me descobri uma fera, pronta para atacar, se fosse necessário. E ataquei. Reação dirigida com uma energia voraz gerada pela sensação de mulher-objeto, desrespeito, asco... Ouvia da boca do idiota-retardado-imbecil-assustado-cínico que era casado, que era trabalhador, e que não precisava daquilo e blábláblá, ele disse que só tinha esbarrado em mim. E desde quando esbarrões estão em conjunto com beliscões¿¿ Chegando à estação Paulista, seguranças me esperavam na plataforma. Fui abordada por um guarda, e apontei o retardado-imbecil-assustado-cínico-covarde que estava fugindo. O pegaram na sua maratona. O infeliz negava o feito. Foi quando o lembrei de que nas plataformas existiam câmeras, e que a negação não valeria. Babaca! Contra fatos não há argumentos, meu caro. Foi feita uma ocorrência. Dá próxima ele é reincidente....mas acho que o retardado-imbecil-assustado-cínico-covarde-nojento vai pensar 10 vezes antes de mexer, e principalmente tocar numa mulher sem sua permissão. Otário



segunda-feira, 11 de março de 2013

pó.

E com as mãos em concha ela foi feliz mostrar o pó-de-ouro que tinha consigo, ele pensando que era sujeira, foi lá e assoprou.

Da próxima vez eu levo a pedra..em ouro. Coisa burra essa de levar pó em tempestade. 


quarta-feira, 6 de março de 2013

“meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder”


(se) foram muitos: Hendrix, Janis, Sid Vicious, Kurt, Elvis, Elis, Jim, Amy, Elis, Dee Dee, Michael ..., e agora o Chorão. Até a publicação deste post ainda não era sabido a causa mortis, mas quase evidente que foi overdose.

Viver não é fácil. Dói. Aperta. Esfola. Machuca. Descola.

por vezes usamos amortecedores. Um “beisi” básico. Um tirinho. Um docinho... Cigarros, bebidas, chocolates... E dá-lhe amortecedores. Inibidores de serotonina, noradrenalina... prozacs, somalium, rivotril... psicofármacos em geral... Uma festa, viagem garantida!! São eles paliativos do conforto que nos salvam... E em excesso.. nos matam. Fácil, fácil!

Ainda que pareçamos esta muralha- fortaleza... Somos frágeis- efêmeros. Pequenas criaturinhas do Universo.

A gente se confunde com as máscaras que desenvolvemos, para lidar com a máscara dos outros, tão frágeis e delicados quanto nós.

Máscaras, cobertores, armaduras... Tudo igual, vendidos na mesma loja. Uns de grife, outros mais vagabundos.

Se o ambiente é inóspito, se está muito frio, logo vem o pedido: - mais uma camadinha, por favor. E a gente vai construindo cercas, muros em vez de pontes. E quando vê já criou uma relação platônica com o seu computador, com sua internet, com seu celular. Você se projeta como gostaria de ser, de como se vê, e acredita que as pessoas vão te crer daquele jeito. Às vezes enganamos bem.

A falta que a gente sente do outro, nem sempre é real. Muitas vezes a falta é de nós mesmos. De nossa essência, e do que a gente gosta. De sentir-se inteiro no agora.

Às vezes o outro também é uma fuga, também é um paliativo, um amortecedor.

O maior trabalho é perceber qual o tamanho real do outro, e não o tamanho virtual. Sabido isto, siga em frente.

A gente sente falta do afago, isto sim. Do carinho... Mas não de qualquer carinho.
Tem carinhos específicos. Daí alguém fala:  “cuidado com a carência”, e você se poda, e começa a jogar, porque afinal não pode transparecer interesse logo de cara, porque senão fica muito fácil, e  já que dizem que nossa natureza é caçar...Bem, e mais uma vez a gente deixa de sermos nós mesmos, botamos a máscara blasé,  e seguimos como se nada tivesse acontecendo. 

- Uma camadinha a mais, por favor!

Dói saber de tanta gente sozinha, vendida a sua própria solidão, por não se aguentar, pelo mundo ser duro demais, e CFROFT, se quebram.

Já estive perto da morte, já tive pânico. Senti-me confusa! Quem não esteve¿ Sociedade doente. Mas dá-lhe depressivos. Tenho um amigo que diz: “hoje em dia nunca ter tomado um antidepressivo é falta de educação”. Seria cômico se não fosse trágico.

A gente se perde em nós mesmo. Vamos buscando subterfúgios para se “Ser” menos dolorido.

A real é que quando a gente verticaliza uma vez, viver na horizontal não nos sacia mais. Estou falando de profundidade, e isto envolve contato com nós mesmos, e com o outro.

Hoje em dia o contato com o outro está fugaz. Vivemos nas margens de mensagens, em leituras (e interpretações) de smiles no whatsapps, sms... Vivemos de “Likes”. A gente se torna uma página; um perfil nas redes-sociais e nos alimentamos de “curtidas” dos posts. Medimos nossa reputação pelas visualizações... Estamos nos tornando virtuais. Somos uma entidade que se transporta por wi-fi, por bluetooth, somos uma nuvem de dados.

Aqueles que não têm facebook são vistos como “selvagens”, rs , “gente do mato mesmo”! Entendo a piada. Caso não fosse o facebook, ainda que por letras digitadas para a telinha, quantas pessoas eu não teria sabido de suas vidas depois de tanto tempo¿

Eu ainda sou do contato. Eu ainda gosto de beijar, de fazer sexo, de fazer amor, de olhar nos olhos, de observar pessoas, ainda gosto do gosto do café a dois, gosto de perfumes pele-a-pele... Do passeio com os amigos, de dançar e suar deliciosamente uma música boa... Mas também me pego engolida entre uma baldeação e outra numa linha de metrô verde-amarela, ONLINE, em algum lugar qualquer, menos no “ali” agora.

De qualquer forma se não fosse a tal rede social, esta malha para saber do outro ( do que ele gosta; do que ele curte; do que ele compartilha, do que ele ouve; do que ele pensa, do que ele blasfema ...), eu mesma não estaria postando e sendo lida, agora, por você. Paradoxos virtuais!

Obviamente não sou nenhuma xiita da internet... hahaha.. Pelo contrário, mas penso no outro, e na sua dor, hoje de uma forma diferente.

Este menino, o Chorão, nem tão menino assim (quarenta e poucos, ne¿! li na internet), andava mal, tinha terminado a relação e tava deprê... Mas que amigos são esses que não viram o processo do cara¿ Você não acorda de um dia para outro, e resolve botar a vida num jump sem corda. É um processo. Lento.

A overdose é muito simbólica. É o tal de preencher o vazio com o excesso do tudo, de emoções, de adrenalina, de prazer, de coerência... Coerência¿

Hoje a frase do Cazuza ganhou outro significado para mim. Já que somos tantos dentro de nós mesmos (me refiro às personas!)... Que lado seu vence dentro de você¿ Quem é o ser que te  governa¿

Que seja você-herói.
Reconheça seus inimigos, os entenda, mas os coloque no lugar deles: o porão.

Se precisar chorar, chore. Mas antes se lembre: levante a máscara para não se afogar em si mesmo. As máscaras não têm buracos para o ar.

Cuide de você, e do outro... em contato.

Salvem os chorões.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

caminho do coração.

Pronto! mandei embora. Eu de salto alto... segui meu caminho pelo sol e piche escaldantes. Quando virei a esquina, tropecei, levantei com os cílios postiços tortos, com o joelho ralado, pedaços do scarpin na mão, mas ninguém viu. Sigo descalça e descabelada para o caminho que leva ao coração (lá dizem que tem um salão de belezas...).


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Balas de Fel

Ela tinha olhos azuis, alta, cabelos secos de quem na vida já fez muita escova. Usava um colar de pérola original, cútis branca, pouco esticada, mas provável usuária de caros cremes para a velhice. Era ela a senhora que comparecia em todos os concertos e recitais da cidade. Os curadores a observavam curiosos, alguns até diziam que ela era vista simultaneamente em dois eventos; aparentemente distinta. Aparentemente. Já era a segunda vez na bilheteria de um recital da cidade que a tal senhora gritava com a atendente por causa do assento escolhido, tudo porque a engelhada mulher tinha preguiça de pegar os óculos para enxergar a tela com o mapa de assentos. Ela tentava escolher o assento como “flanelinha”: mais para trás, agora esquerda, NÃO! esquerda! esquerda! DIREITA, menina, di-rei-ta, pula mais uma, MAIS UMA!...

Naquele momento ela perdeu a elegância, a classe, a beleza, e os olhos azuis se tornaram de plástico, o cabelo de palha, as pérolas viraram imitação barata, e a pele ficou enrugada. Já não se via um ser humano, se via uma fera doída e machucada por ela mesma, e que ainda teriam muitos anos para aprender o trato com seus semelhantes em espécie.

Tanto tempo de concertos, recitais de belezas aos ouvidos, mas que dá boca só saía fel. Compreensível buscar o mel dos sons e da música. Tudo então fazia sentido. Era ali que buscava sua cura sem-consciência.

Do outro lado da rua, um senhor de meio metro, de tez negra, espichada naturalmente pela maravilha da genética, usava boina, óculos fundo de garrafa e um avental branco, corcunda por causa do peso da vida, vendia balas e doces no farol do teatro há mais de 15 anos. Fizesse chuva ou sol, ele continuava com um sorriso leve e poesia nos lábios. Passos lentos ao caminhar. Nunca foi ao teatro, nem concertos. Era dele a bala que a mulher deveria auferir... no caso dela, chupar mesmo ...para consertar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Grande Booom

Antes do grande BOOM, quero me deleitar, dançar um jazz, depois um tango, e depois uma salsa. Suar, me deliciar comigo mesma, em grande estilo, dar gargalhadas, um bom som, e movimentos que me lembrem viva. Quero perfumes no ar, poder rever algumas fotos, trazer minha lembrança a ativa. Lembrar que tudo que fiz foi o que eu sabia fazer. Se eu errei foi porque precisava aprender; se me magoaram foi porque eu precisava aprender amar; se me separei foi porque eu precisava aprender o encontro; se escorreguei foi porque precisava aprender a levantar; se eu me despi foi porque precisava aprender a nudez do espirito; se pratiquei a solidão foi porque precisava aprender a minha presença; se chorei foi porque precisava lavar a alma... Nada foi em vão. Nada!

Tudo veio no momento certo em que eu poderia acolher. 


Entendo que dei o meu melhor, e o que o outro também deu o seu melhor. E ainda que não tenha sido o suficiente para mim, foi o melhor que ele tinha para me dar. 


Se recebi a grosseria, foi porque eu precisava aprender a doçura. Entendo que o outro é meu espelho, e que a fusão acontece no invisível, em níveis diversos, subversos, e que não precisa de títulos, nem subtítulos, a fusão simplesmente se É.


Entendo que se o grande BOOMM acontecesse agora, neste instante ou logo depois disso, eu já teria co-criado uma nova realidade com mais harmonia, compreendendo em paz, que tudo está na roda da vida, e que em essência somos amor em estado bruto e sólido, precisando da vida, e do Mundo para sermos polidos. 


Pedra bruta, anjo decaído... Tudo de passagem. Viajantes do tempo e do espaço, que cedo ou tarde voltará para a sua morada. E se fosse hoje, em gratidão, eu diria: valeu a pena, e então, dançaria uma ultima música ("La Vie en Rose") com o desconhecido.



domingo, 4 de novembro de 2012

Homem farelo

Venustidade: Cabelos prata. Olhos Azuis. Pele queimada de sol. Paletó cinza, calça marrom.Sandália de couro surrado. Mãos fortes com veias saltadas que seguravam cinco ou seis sacolas. Em cada lata de lixo, parava. Fuçava em busca de algo. Ora um pedaço de sanduíche, ora o resto de uma coca-cola, ora metade de uma bituca de cigarro. A sacola se enchia com objetos recicláveis. Na saída um leve chute na lata. Chutava sempre com o pé esquerdo. Cada lata, um chute. Seria T.O.C.?

Ele atravessou a rua. Os olhos azuis transparentes examinavam a próxima parada. Sua pele era ressecada, mas de uma beleza curiosa. Outras latas de lixo. Ele parou. Nestas nada achou. Ao lado, alguns pombos. Ele abriu um dos grandes sacos, e lá foi jogando farelos... ele tinha um saco de farelos... repleto de farelos. Os farelos amarelos confundiam-se com as flores caídas do manacá. Os pombos se alvoraçaram com sua passagem.

Olhou mais uma vez na lata, nada achou. Deu o seu Toque, e foi embora.

Ante de sumir na esquina cruzou com uma madame.  Ela tinha no seu olhar a cegueira social, o homem parecia ser feito de vidro. Ele virou a esquina, e eu também o perdi de vista.

A madame segurava um cão, cão de madame. Cheios de fru-fru e lacinhos.

Ela parou para comprar um sorvete na loja chique. O cachorro frufru andou até as migalhas, e as comeu, lambendo, degustando os farelos jogado pela ferida social-invisível a ela.

O cachorro agora seguia pelos Jardins com um pouco do homem-farelo.
A mulher amarelou-se.

sábado, 20 de outubro de 2012

Novela não é para jacu


Parabéns para você que se acha melhor porque não acompanhou a novela. Mas vou te contar um segredo, vai ser duro, mas aguente: você é igual a todo mundo.
Temos sempre a necessidade de nos colocar  um degrau acima, para nos mostrar superiores diante aos comuns, aos ditos, medíocres. Quando apontamos o “defeito” no outro, geralmente, lá no fundo -  naquela parte sombria da gente- é para saciar o ego que  urge se sentir mais inteligente, mais articulado, mais bonito, mais acadêmico, mais revolucionário, mais moderno... Pobre criança ferida!
Sou daquelas que assiste novela de vez em quando: Ou para ver algum amigo que está atuando, ou porque de fato, as pessoas não param de comentar  nas ruas, na condução, no dentista etc; e como artista, acho no mínimo curioso o tema para um estudo antropológico. Acho estranho as pessoas dizerem em alto e bom tom, “só vejo canal fechado, porque a programação brasileira é uma bosta”. Parabéns! De fato a maior parte da programação dos nossos canais abertos é bem precária,e massificada mesmo... Mas isto não é só no Brasil... Quando a gente viaja para o exterior tem uma visão melhor, e tem mais cuidado ao generalizar o Brasil com frases que denigrem o povo e seus costumes...
Não me lembro de ter acompanhado uma novela do começo ao fim, talvez só faça isso quando eu estiver trabalhando nela, ou talvez não...  Não sou daquelas que gosta de se ver no vídeo, mas talvez assistisse para poder melhorar a atuação, enfim, aprender. Estamos aqui para isso....evoluir.
De fato o Brasil parou com Avenida Brasil. Parecia jogo do Corinthians, Copa do Mundo, sei lá;   Marginais e Avenidas vazias, um fenômeno... Meu Deus! ¿Seria uma alienação coletiva ¿ Seria isso¿¿
Horas antes da novela, no facebook não existia meio termo, talvez a neutralidade. Mas nos pontos extremos, tínhamos publicações com fotos, charges, comentários sobre a novela, ou, do outro lado, reclamações de que o “povo do facebook não falava de outra coisa”, a não ser da carminha, tufão, nina, santiago, max ...
Hoje de manhã me deparei com vários status raivosos que se mostravam enojados com a postura do brasileiro sobre o final da novela... sobre a Globo... sobre a TV em geral... o que me motivou escrever este texto-desabafo.
Primeiro fiquei pensando como o sucesso de uma novela pode causar tanta fúria numa criatura. Daí, cheguei a conclusão de que não é a novela... as pessoas estão mesmo doentes, e precisam se apegar a pequenos acontecimentos e destilarem seus venenos, frustrações para se sentirem um pouco mais vivas...
Todos nós temos preconceitos, não adianta você dizer que não tem preconceito algum, porque você tem! Ou é de preto, ou é de branco, ou é de vermelho, ou é de amarelo, ou é de bicha, ou de viado, ou é de gay, ou é de hetero, ou é de travesti, ou é de político, ou é de artista, ou é de religioso, ou é de ateu, ou é de modelo,ou é de pobre, ou é de rico, ou é de intelectual, ou é de ignorante,  ou é de gordo, ou é de magro, ou é perua, ou de quem mora no lixão... a gente tem preconceito. O pior preconceituoso é aquele que não percebe que é. Este sentimento sim, cria ditadores, mussolini´s, hitler´s... e não deixa de ser... reacionário. ¿Paradoxal, não¿
Quando comecei fazer escola de teatro, há quase 20 anos, eu dizia que jamais faria tv, publicidade, porque isto seria  vender minha arte que não estava sendo construída para isso. Santa ignorância! Santa leviandade! E como se vive¿ É sabido que não existe leis de incentivos, políticas públicas, fomentos, proac´s o suficiente para tanto quórum. Mas logo a gente aprende, e trabalha a humildade, trabalha o Ego...  

Gosto (e preciso) trabalhar a arte em mim, nos palcos, nas telas... Mas também gosto de levar um pouco de sensibilidade aqueles caras engravatados, nos eventos corporativos. Gosto de fazer minha arte  “cabeção” cheia de significados semióticos para um público talvez mais restrito, mas também gosto de ganhar dinheiro com ela. Afinal, não vivo de vento. Perambulo por estas áreas. Faço teatro, faço dança, faço cinema, faço publicidade, faço artes plásticas, faço tv, faço eventos corporativos, e busco promover em cada canto onde estou, a sensibilidade de quem nos assiste; de tocar, de fazer pensar, ainda que não seja com a razão, mas com a emoção.
Então, por favor, você que se sente melhor do que os demais porque não vê tevê, e ainda xinga os colegas que o fazem, se olhe no espelho e pergunte a si mesmo: para que estou aqui¿ onde estou agregando no mundo¿ E se cuide.
Eu não gosto de BBB, acho uma bosta. Mas foda-se! Tem quem curta, e sabe tirar algum proveito daquela merda. (viu eu também sou  preconceituosa!). Mas tenho procurado medir, e filtrar as pessoas por como  tratam seus semelhantes...
Desconfio de diretores que falam de amor em suas peças, mas são tiranos com seus atores. Desconfio de militantes que saem pelas ruas pedindo revolução mas não cuidam bem de seus filhos nem de seus amantes...
Fora isso, intelectualizar demais, nos engessa, nos coloca como posição de observadores, quando na verdade a vida, na minha opinião, é ali, no instante, onde a gente ama, se ferra, se dói, se cura, se cai, se levanta, se alimenta e passa fome. A vida é isso... Eu não sou quadro pintado na parede, eu sou gente de carne e osso... e eu tô aqui, vivendo.
Se eu vou assistir a próxima novela, ainda não sei.... Mas, me deixa!