segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Conversas antes do Ato

No Hall do teatro:
Ela:
- Oiiii, você veio com alguém?
Ele:
- Não, eu vim sozinho!
Ela:
- Ahhhh! Eu também vim com um amigo.
Ele:
- Como também?? Acabo de dizer que vim so-zi-nho. Contrário de acompanhado!!
Ela:
hahahahaha...
Ele:
- Depois da peça, marquei de sair para bebermos uma cerveja!!
Ela:
- Mas quem vai? Todo mundo?
Ele:
- Não! Eu e o meu amigo!
( ! ! ! )

sábado, 13 de dezembro de 2008

touca de banho?

Não é bom dormir com ele molhado. Vai que apodrece.
Falava minha mãe quando eu era pequena e queria lavar os cabelos à noite.
- Mas vai tomar banho mesmo assim, sim senhora.
E lá ia eu tomar banho, emburrada, porquê não poderia lavar o cabelo.
Era simples, me deixasse dormir à meia noite, e tudo estava certo.
Naninanão.
E era sempre a mesma coisa.
- Mãe, cadê a touca-de-banho?
- Não sei. Usa a calcinha...
Então, colocava na cabeça a calcinha que acabara de tirar antes do banho.
E quase nada molhava os meu cabelos.
Às vezes, por algum motivo, esquecia e entrava debaixo do chuveiro com a calcinha-touca
Então, acabava usando aquela que estivesse pendurada no box. E era sempre a da minha vó Dóra.
Era uma calçola, e nestas vezes meu cabelo saía sequinho.
* * *
Hoje não tenho mais este hábito. Mesmo porquê as minhas calcinhas deixariam todo o meu cabelo molhado.
E eu não moro mais com a minha vó.
Mas se numa emergência precisar... Por que não?
Uma dica é: nunca use esta técnica perto de um (a) pretendente aspirante à qualquer coisa mais séria.
Pelo menos no começo...
A não ser que você saiba que a outra pessoa tenha um senso de humor a la Jim Carrey, ou que aprecia, digamos, uma moda mais inusitada.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"toda saudade é uma espécie de velhice”


Um amigo meu disse dia desses "as avós são patrimônios lindos".
E são mesmo!

Existem as avós meio mães, corujas, que fazem tudo ao contrário para "estragar" a educação dos pais, mas existem também as avós meio bruxas. Malvadas. Quase madrasta de contos de fadas. A avó de uma amiga minha, escondia os doces e guloseimas quando os netos iam visitá-la. Ela não gostava de dividir! Hoje, adulta, minha amiga ri contando esta passagem. Mas imagino a vovó escondendo a coxa de frango assado dentro da bolsa para a netinha gorducha não pedir... Eu hein!!

Com certeza eu tirei a sorte grande.
Tive três avós: a vó Madalena, a Vó Doroty, e a vó Dóra ou Erotides (até hoje não entendi bem porquê ela têm registros com os dois nomes. Parece que o cara do cartório de São Bento do Sapucaí vivia bêbado ou coisa assim. É, naquela época eles bebiam muito no trabalho, sabe.)

As duas últimas avós com nomes parecidos estão vivas.
Já a avó Madalena faleceu quando eu tinha poucos 9 anos de idade em Itatiba-SP. Foi pegar não-sei-o-que em cima do armário, e caiu da cadeira. Do chão não levantou mais. Na época, recebi a notícia com um estranhamento particular. Não a encontrava com freqüência, mas sei que sentiria a falta dela no decorrer da minha vida. Seu último presente no meu aniversário de nove anos foi um estojo de costura que tenho até hoje. A avó Madalena foi mãe de criação do meu pai biológico (ah sim, também tenho dois pais. Três na verdade, se eu contar com o meu avô João, o qual eu herdo a descedência portuguesa, que foi um exemplo de homem pra mim. Saudades profundas do vô João que me fazia rir quando colocava pra fora da boca a dentadura-hahahah!).

Voltando para as Avós Patrimônios, pensando bem, eu poderia ter tido 4 (quatro) avós. Pois é, seriam quatro se eu tivesse conhecido a mãe verdadeira do meu pai biológico.... uauuuu!
Vovó demais, né?!

Me contento com as três que tive. Em tempo, com as duas que eu ainda tenho.

Na época das nossas avós, tudo era mais difícil. Mas tenho a sensação de que as histórias que elas viveram foram tão mais intensas e reais do que as nossas, hoje, tão virtuais.

A vó Dóra (Erotides), mãe de 10 filhos, vó de quase 30 netos... Já viu lobisomem quando criança (juro que é verdade!). Trabalhou muito na vida. Na época da guerra em 45 só comia feijão, tempos difíceis aqueles. Casou-se cedo com o meu Avô João.
Hoje com os seus quase 80 anos de idade é uma serelepe. Voluntária assídua de alguns lugares assistenciais...
Pega metrô pra cima e pra baixo. Gosta de viajar. Mas viagens rápidas por favor, pois não gosta de "ficar muito na casa dos outros".

Ah sim, outra coincidência é que os dois avôs, respectivos maridos das avós com nomes parecidos, se chamavam João. Mas só conheci um deles, o marido da Vó Erotides. Pais de mi madre.

Já a vó Doroty. Outra batalhadora. Com menos filhos, e menos netos. Tem a aparência da vó da "casa do pão de queijo". E cozinhava que era uma maravilha. Adora ler. Foi telefonista durante um tempo. Trabalhou nos idos da tropicália em famosos hotéis freqüentados pelos boêmios artistas baianos-cariocas-paulistas. Conheceu Chico Buarque quando era mocinho; Toquinho, Vinícius... deste último ela foi a primeira ouvinte de um grande Hit que ele havia composto no quarto do hotel:
- Alô, Sra Doroty. A Sra. tem tempo de ouvir uma música que compus agora com o Toquinho?
- Claro, Seu Vinicius. Tenho sim senhor.
- Então escuta só...
E tocou-cantou pra ela no telefone.
Semanas depois a tal música era sucesso nacional nas rádios!

Juro que vibrei com estas e outras tantas histórias que vou ou não escrevinhando aos poucos nos posts a fora contadas e vividas com ou por minhas avós patrimônios.


Tudo é um ciclo. Se é genético já não sei. Se é espiritual, menos ainda.

Mas reconheço (tudo de mau e bom que isso implica) reconheço em mim a minha vó, que reconheci em minha mãe, e se tiver sorte, reconhecerei em meus filhos, quiçá em meus netos.

Poeira do mesmo saco?!
Talvez! Um dia quem sabe seremos nós contando as nossas histórias para os nossos netinhos... oóh, que fofo! Talvez!

Já dizia Guimarães Rosa:
“A verdade que, em minha memória mesmo ela tinha aumentado de ser mais linda”.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

:40 Solteirões Convictos (1)


basedo no Rã Case de meu amigo Erick de Vasconcelos ®... mas a inspiração veio da vida mesmo...rsss

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Porque Te Vás

O amor acaba


Por Paulo Mendes Campos

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Texto extraído do livro "O amor acaba", Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro, 1999, pág. 21, organização e apresentação de Flávio Pinheiro.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

o menor e melhor conto de fadas do mundo...

RECEBI de uma amiga, e não tive como não postar aqui...

Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:
- Você quer casar comigo?
Ele respondeu:
- NÃO!
E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras,
conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na
praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e
de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre
que estava com vontade e ninguém mandava nela.
O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou,
ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.
FIM!!!