Atenção Senhores Passageiros, devido a usuário na linha na estação Palmeiras-Barra Funda, os trens estão circulando com velocidade reduzida e maior tempo de parada.Oito da manhã, e filas para atravessar a catraca, multidão nas plataformas, dezena de minutos para conseguir entrar num trem
(Ai, nestas horas gostaria muito que qualquer político estivesse ali, pra sentir o que é andar de metrô nestas condições.)
Rapaz 30 anos, vestes sociais: agressor-vítima.
Moça 25 anos, estudante: vítima-agressora.
Ele se arma na plataforma com a mão na cintura de forma que o cotovelo fica apontado para trás.
Ela esta atrás dele com a mochila na frente do corpo.
Por duas vezes eles se esbarram, ela não pede desculpas. Afinal, faça-o favor, porque só o dondoco "não me toques"?!?!
Passa um, dois, quatro trens, e o do "Cotovelo" não entra em nenhum deles.
No quinto trem um espaço se mostra favorável, ela pede licença, mas o sarnento (talvez por pirraça?) entra na frente, não lhe sobrando mas o tal espaço. Atradíssima, não pensa três vezes, e se enfia no meio de um outro espaço nada favorável:
- Com licença, licença, ai, com licença....
O do Cotovelo-Sarnento pisa-lhe no pé descoberto pela sandália. E grita raivosamente com ela:
- Abaixa a mochila, PORRA!
Ela abismada com tamanha grosseira e com dor no dedão do pé, pede-lhe desculpas olhando-o nos olhos:
- Calma moço, tá tudo bem! Calma!
Sem espaço físico (e emocional?) ela fica bafo-a-bafo com o seu agressor.
Já dentro do metrô em movimento, foi subitamente tomada por uma crise incontrolável de choro-soluçado no meio da multidão-sardinha.
Agora sim, ele, o rapaz do cotovelo-sardento-não-me-toques, veria o que é bom pra tosse.
Ela, a moça ranhenta da mochila roxa, molharia salgadamente toda a manga da camisa dele.
Cada um dá o que tem.
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